PADRÃO MIDIÁTICO NAS REDES SOCIAIS: Como isso influencia nossas vidas?

Falar em padrões de sempre será uma discussão polêmica, com as opiniões mais diversas. Mas será que entendemos o real impacto que que isso causa nas nossas vidas?

Portanto, essa matéria é um convite para uma reflexão sobre o que significa seguir padrões pregados dentro das mídias sociais e onde está o ponto de equilíbrio entre a aderência benéfica e maléfica.

Mas o que é padrão midiático?

O próprio nome já deixa claro. Se trata do conjunto de características físicas e comportamentais “ditadas” pelos mais importantes veículos de comunicação, influenciando a grande massa. Pensando assim, você pode ser diretamente influenciado pela moda em geral e suas tendências, mas a abrangência é muito maior.

É claro que esse não é um conceito que surgiu agora, na era das redes sociais.  Desde que comércio é comércio e a publicidade começa a circular pelas ruas, somos convidados a adotar novos comportamentos para “nos encaixar” na sociedade.

Hoje a mídia anuncia e enaltece desde o corte das nossas roupas, até a forma como “deveríamos” nos alimentar. Ou até mesmo as músicas “do momento”, a nossa rotina de trabalho e o horário que devemos acordar ou ir dormir. Passe meia hora analisando o Instagram e com certeza você vai encontrar diversas pessoas “pregando” algum hábito na sua vida.

Um pouco da história…

Você pode estar imaginando que esse tipo de comportamento é uma nova tendência, mas se você já leu algumas das minhas matérias sabe que eu sempre bato na tecla do comportamento cíclico, que volta a surgir com “novas” necessidade sociais.

Se antes não havia Instagram, Facebook e Twitter, consegue imaginar como esse padrão era ditado? Ele era (quase literalmente) estampado na cara da sociedade. O começo da publicidade, com meios muito mais limitados, foi marcado por cartazes feitos a mão espalhados por cidades, jornais e revistas, com mensagens bem indutivas e pouco politicamente corretas:

“Por que a sua mãe não lava você com sabão Fairy?”
“Mantenha-a aonde ela pertence”
Um carta de pedidos para o Papai Noel.

É lógico que essa era uma maneira muito mais escrachada de anunciar produtos e se trata de uma comunicação moralmente inviável para a sociedade atual, mas fazendo uma rápida comparação, podemos perceber que o impacto causado pela propaganda hoje em dia consegue ser maior (e até mais nocivo) do que acontecia antigamente.

“Mas você não pode comparar uma propaganda de cigarro com um post do instagram sobre bons hábitos alimentares”É verdade. É evidente que os tipos de anúncios feitos há 40, 50, 60 anos, não cabem mais na nossa sociedade, ainda mais na divulgação de produtos extremamente nocivos para a nossa saúde e propagandas com cunho preconceituoso e humilhante.

Hoje somos motivados a ter hábito mais saudáveis, alcançar o corpo perfeito, manter uma rotina frenética de trabalho, bem-estar, vida social ativa e positividade. Olhando amplamente, não te parece a melhor forma de usar marketing, influencers e redes sociais para propagar mensagens? A princípio sim, mas não é bem por aí que a banda toca.

Mas qual o problema em seguir bons padrões?

Teoricamente, nenhum. O problema está no quão escravos nos tornamos de determinadas atitudes. E também, como somos capazes de perder a nossa identidade na busca do padrão perfeito. Aliás, para começo de conversa, o que seria um padrão perfeito?.

Um corpo perfeito? Uma carreira consolidada (até) aos 30 anos? Uma vida social extremamente ativa e popular? Um cabelo impecável? Uma rotina de hábitos alimentares extremamente saudáveis? Praticar exercícios 6 vezes na semana? Ou seria tudo isso junto?

Colocando em termos reais, de tempo, dinheiro e prioridades de vida, quais as chances de você (ou qualquer pessoa) conseguir manter a vida dessa maneira? E com um detalhe a mais: completamente sozinho.

Os padrões midiáticos podem até servir de inspiração para ser um alguém melhor para você. Entretanto, se torna loucura quando buscamos nos encaixar em algo que não existe dentro da nossa realidade. Somos treinados desde o início de conceito de hierarquia a queremos alcançar padrões de vida e comportamento que consideramos referência daquilo que buscamos.

Me diga quem segues e te direi quem és

1 post da empresária Kyle Jenner vale cerca de R$ 10.000.00,00.

Hoje, nossa maior referência está dentro das redes sociais, que se tornaram a maior máquina de comércio de publicidade da atualidade. Sendo assim, é curioso questionar e relevância e autenticidade do conteúdo postado por essas pessoas que nos inspiram.

Sejamos francos: Você jamais postaria algo que não elevasse ao menos sua auto-estima nas suas redes sociais, certo? Afinal, elas se tornaram o seu cartão de visita pessoal e a maior abertura de portas para a vida social e profissional. Portanto, quanto mede o filtro de conteúdo de pessoas que tem seus posts avaliados em milhões de dólares? Ou ainda que tem a sua rede social como profissão e fonte de renda? No fim das contas, tudo se torna uma grande vitrine.

A influência da mídia começa na vida de quem tem dentro da sua rotina diária uma agenda frenética de compromissos digitais e vai até o produto de que “precisamos” comprar porque tal pessoa está usando.

Social media don’t hurt people. People hurt themselves, with social media

Toda essa narrativa não serve para sugerir que as redes sociais estão aí para machucar pessoas. Em tempos de conectividade e comunicação se expandindo de maneira tão imediata, as redes sociais são os principais canais de expressão e conexão entre pessoas.

Desde o início do século, a internet dá voz para pessoas nunca antes ouvidas e trouxe a oportunidade de nos conectarmos com quem nos identificamos, trazendo um sentimento de pertencimento. Porém, é lógico que tanto avanço também seria capaz de trazer uma certa confusão por um outro lado.

O cyberbullyng não é conceito novo para ninguém. Porém, num aprofundamento maior, arrisco dizer que o nosso maior problema hoje está na automutilação que somos capazes de causar através de nossos Facebooks, Instagrans e afins. A “vantagem” de estar do outro lado da tela, que primeiramente veio com o intuito de desinibir a expressão pessoal, passa a ser o maior obstáculo para sermos quem realmente somos, diante de tantas inspirações perfeitas que são colocadas no nosso feed.

Hoje o Google detém mais de 90% de toda a informação disponível no mundo, o que significa que (choque) a empresa já sabe mais da sua vida do que você mesmo. Então, não seria lógico pensar que uma das empresas que mais fatura no mundo te sugira conteúdos mais ligados aos seus interesses de compras do que necessidades pessoais?

Viva la e-volución

Este não é um momento para se apavorar e simplesmente resolver abolir a internet da sua vida, tanto porque isso te colocaria numa bolha que não encaixa no mundo atual e irá se encaixar menos ainda no mundo que está por vir. É apenas uma sugestão para parar e refletir a melhor maneira de utilizarmos ela no nosso dia-a-dia.

Toda informação é válida, seja ela em forma de notícia, vídeo, música, arte, ou post. Você é o seu repertório pessoal, então basta verificar a autenticidade da sua informação e metrificar a relevância dela na sua vida e do seu mundo.

Não existe problemas em se inspirar em comportamentos, looks, técnicas e didática de outras pessoas, mas não podemos tornar nossa a realidade do outro. A inspiração serve para absorver a informação de forma única, para que ela faça apenas parte da sua individualidade

Influenciar pessoas é muito legal, mas impactar a vida de uma massa exige responsabilidade pelos seus atos e pela forma que eles vão ecoar. Redes sociais precisam de cuidados. Seres humanos também.

Seja bom e seja você; Faça o bem e faça você mesmo.

Por Nichole Perez, Marketing Analyst da TROC

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